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Adam Smith

Muitos já ouviram falar do filósofo escocês Adam Smith.  O que ele fez colocou a pequena cidade de Edimburgo, onde começou sua carreira acadêmica, no mapa mundial.  Por suas contribuições, Adam Smith é considerado hoje um dos pais da economia moderna, e sem dúvida nenhuma, o pioneiro da economia política.  Seus livros A Teoria dos Sentimentos Morais e A Riqueza das Nações são referências até hoje.  Mas como um filósofo que morreu em 1790 ainda é relevante em 2015?

Uma investigação sobre a natureza e as causas da riqueza das nações
Uma investigação sobre a natureza e as causas da riqueza das nações, obra-prima de Adam Smith.

Adam Smith não tentava descobrir teorias para manipular as pessoas.  Ele tampouco tentava forçá-las a agir de forma diferente do seu estado natural.  O que Adam Smith fez muito bem foi observar o comportamento das pessoas como agentes do mercado.  Ele explicou como a livre interação entre as pessoas através da livre iniciativa promove o bem-estar social.  Embora ele poucas vezes tenha dito a expressão “mão invisível,” seus textos remetem a esse conceito.  Há dois pilares principais do conceito de mão invisível de Adam Smith.  O primeiro é o esforço individual para maximizar o próprio bem-estar.  E o segundo pilar é a interação entre agentes de mercado, através da livre negociação e do empreendimento.  Essas duas condições juntas criam uma situação que é mais agradável para o indivíduo e para a sociedade.

A mão invisível é uma referência ao conjunto de coisas que acontecem como se fossem guiadas, mas na verdade, são simplesmente a prática de atos individualistas de cada cidadão buscando um melhor bem-estar para si.  Essas ações se encaixam e formam um conjunto de mecanismos que levam à melhora em suas vidas e ao progresso da sociedade como um todo.  Essa é a constante por todo o seu trabalho.  Há alguns fragmentos de sua obra que exemplificam bem esse conceito.  A divisão do trabalho permite a descentralização da cadeia produtiva.  A livre iniciativa e a livre negociação permitem que cidadãos troquem mercadorias e possam atingir uma melhora na sua situação.

A divisão do trabalho é um dos capítulos mais famosos de A Riqueza das Nações.  Mais uma vez, Smith comenta sobre como a centralização é contra-produtiva, ou melhor, como a divisão do trabalho agiliza o processo de produção.  Se uma pessoa fosse fazer todo o processo de produção de um bem, mesmo tendo todo o conhecimento necessário, ela não conseguiria passar de uma tarefa para outra com a mesma agilidade e o produto não ficaria pronto no mesmo tempo.  Um exemplo que era muito citado por Milton Friedman, mas que remete à essa ideia é o exemplo da produção do lápis.

Lápis

Parece um objeto muito simples e fácil de fazer, mas seus componentes vêm de diversos lugares do mundo.  A madeira pode ser muito facilmente produzida nos EUA.  O círculo de ferro que segura a borracha depende da mineração de ferro no Brasil ou outro lugar do mundo.  Ainda temos a extração e processamento de grafite, a cola que mantem tudo junto, e a tinta do exterior.  O fato é que a fabricação do lápis depende não só de materiais que são mais facilmente produzidos em certos lugares, mas também de processos e, principalmente, esforços individuais de cada pessoa envolvida na cadeia de produção.  Mesmo que uma mesma pessoa tivesse todo o know-how para produzir o lápis sozinha, isso seria uma tarefa exaustiva, cara, e prolongada.  A divisão do trabalho permite que cada pessoa se ocupe de uma parte do processo produtivo.

Isso nos traz a outra ideia muito importante e central no trabalho de Adam Smith – a livre negociação.  Lógico que para termos livre negociação temos que ter também livre iniciativa.  Um indivíduo só consegue vender aquilo que ele consegue produzir.  Adam Smith quebrou o paradigma de que a negociação entre duas partes é um jogo de soma zero.  A noção que se tinha por causa do Mercantilismo era protecionista.  Muitos achavam que cada país tinha que incentivar as exportações e coibir as importações.  A partir de Adam Smith, esse pensamento mudou.  Ao permitir maior liberdade aos seus cidadãos dentro de suas fronteiras e maior livre negociação além de suas fronteiras, os países passavam a exportar baseados na vantagem absoluta.  Eles exportariam somente aqueles bens que conseguem produzir melhor e importariam bens que outros países produzem melhor.  O economista David Ricardo elaborou mais essa linha de pensamento e desenvolveu o conceito de vantagem comparativa.

Açougue

Uma das frases de Smith em A Riqueza das Nações chama a atenção: “não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro, ou do padeiro que esperamos o nosso jantar, mas da sua consideração com seus próprios interesses.” É do desejo de melhorar a sua própria condição que os indivíduos produzem.  Cada um deve produzir aquilo que sabe fazer melhor e procurar outros indivíduos que produzam coisas diferentes para negociação.  É essa necessidade de negociação que desenvolve a especialização e a divisão do trabalho.

Hoje em dia parece que esquecemos algumas dessas lições.  Em muitos aspectos, voltamos ao protecionismo mercantilista.  Com os anos, países foram impondo barreiras ao comércio doméstico e internacional, e barreiras ao movimento livre de pessoas entre países.  Os Estados Unidos, por exemplo, foram construídos com o suor dos imigrantes, que assim como no Brasil, buscavam uma vida melhor distante do lugar onde nasceram.  O crescimento monumental que a economia americana teve ao longo dos anos se deve ao grau mais elevado de liberalismo econômico.  Mesmo com todas as barreiras que foram postas, muitos acordos são feitos entre países com o propósito de quebrar algumas dessas barreiras.

O Brasil, infelizmente, está entre os países mais fechados do mundo.  Pagamos caro em produtos importados, e, por consequência, tudo que se compra no Brasil é mais caro.  Mesmo produtos que não têm similares produzidos no Brasil que possam competir com os importados são taxados com tarifas altíssimas.  Esses entraves ao comércio pioram a situação de cada cidadão, impedindo que eles possam comprar produtos de qualidade a preços mais baratos simplesmente porque são produzidos em outros países.  Ao mesmo tempo, não conseguimos desenvolver uma produção adequada por insistir em indústrias que muitas vezes, mesmo com o protecionismo, não têm competitividade ou não agregam valor suficiente para os consumidores.

As lições de Adam Smith são, hoje, mais relevantes do que nunca.

Edimburgo, Escócia
Edimburgo, Escócia. Onde morreu Adam Smith em 1790.

Sobre o Autor

Formado em Finaças pela George Mason University, em Virgínia, nos Estados Unidos. Experiência no setor bancário e de investimentos. Hoje, é sócio da RBR Invest, uma empresa de investimentos.

4 Comments

  1. O problema com o liberalismo é que, na realidade, o trabalhador nunca tem voz, pois se não aceitar as imposições patronais, não terá trabalho. Isso é o que faz com que a definição de capitalismo, sistema em que a acumulação de riquezas é fundamento, se dê. Acumula o patrão, retirando do trabalhador. Nítido nesse golpe da reforma trabalhista que é imposta pelo poder o capital sobre o trabalhador brasileiro. O liberalismo é o câncer de uma sociedade, impedindo a justiça social. Defendido por patrões ou por analfabetos políticos.

  2. Milton, o bacana do Liberalismo é que esse mesmo empregado que você diz sub-julgado ao patrão, também pode se tornar um patrão. As regras ficam explícitas para todos, basta esforço individual. Porque ao invés de ficar chorando você não aconselha as pessoas a trabalharem, a se esforçarem individualmente e constituírem suas empresas e aí sim, como “patrões”, tenham uma visão mais rentável das necessidades dos seus empregados? Hoje as grandes empresas de sucesso são aquelas que compreendem seus funcionários e respeitam suas individualidades. A Google é um exemplo. Fica a dica, ao invés de chorar, porque não trabalhar? Abraços.

  3. O negocio é ficha limpa e dedicação no que faz. Exemplo: o bom sapateiro tem que ser o melhor colocador de sola DA REGIÃO!!. O cidadão tem que ter seus caminhos aberto via SPC e SERASA.(LINHA DE CREDITO), HONRADEZ NO QUE FAZ E CONHECER A LEI DA OFERTA E DA PROCURA, NO QUE FAZ TEM QUE SER O MELHOR,SEJA PARA SI OU PARA EMPRESA QUE TRABALHA. O FINAL DE TODA ESTORIA É CONSUMIDOR FINAL, E TER PERSEVERANÇA,

  4. O liberalismo é a melhor ideologia que existe. Esse Milton não entendê nada de economia. Cadê o diploma dele de economia em? Se não tem não pode falar nada. O pedreiro não pode da palpite sobre o trabalho do engenheiro. pessoas que pensam em ser empregado a vida toda é um fracassado não importa o emprego e o salário. Você deveria pensar mais alto invés de trabalhar para outros porque você não faz os outros trabalhar para você? esse papo de vitimismo dos trabalhadores não funciona mais . Câncer mesmo é essa alta burocracia é imposto para administrar uma empresa. Acorda para vida o vilão da história não é os empresários é o GOVERNO.

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