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Subidas no salário mínimo mataram quase tantos empregos de baixa remuneração quanto o colapso econômico.

Essa é a conclusão do professor Jeffrey Clemens da University of California-San Diego no complemento que acaba de publicar para seu histórico estudo de 2014 . Ele diz que os aumentos no salário mínimo federal de 2006 a 2009 1 foram responsáveis por 43% do declínio no nível de emprego entre trabalhadores jovens e de baixa qualificação durante a grande recessão.

Trabalhadores jovens e de baixa qualificação — conceito definido como indivíduos entre 16 e 30 sem ensino médio completo — são os que têm mais chances de ser prejudicados por subidas no salário mínimo porque são os que têm menor probabilidade de possuir as competências que os empregadores consideram valiosas. Empresas poderiam estar dispostas a aceitar esses indivíduos por salários baixos para treiná-los antes de levá-los para funções melhor remuneradas. Mas quando o governo estabelece um salário mínimo, o primeiro passo da carreira pode desaparecer .

O estudo de Clemens confirma essa teoria há muito tempo aceita. Trabalhadores jovens e de baixa qualificação foram atingidos em cheio pelo salário mínimo, enquanto a maioria dos outros grupos foram relativamente pouco afetados.

Diversas qualidades separam o estudo de Clement e seu predecessor (coautorado por Michael Wither) de um grande universo de pesquisas sobre o salário mínimo. Não entre as menos importantes está o intervalo de tempo. O paper cobre um período de sete anos entre 2006 a 2012, ao contrário de outros estudos como o frequentemente citado paper de 1994 de David Card e Alan Krueger. Esse paper, que não encontrou qualquer efeito negativo do salário mínimo, só observou um período de onze meses.

O intervalo de tempo é crítico, porque os efeitos prejudiciais de aumentos no salário mínimo são frequentemente defasados. Imediatamente após um aumento de salários, as empresas geralmente não querem alterar seus planos de negócios de maneira significativa. Ao invés de desligar trabalhadores, elas podem aumentar preços ou cortar benefícios empregatícios. Mas depois de um ou dois anos, menos negócios serão criados, os negócios existentes fecharão mais rapidamente, e menos empregos estarão disponíveis.

Estudantes

O estudo de Clemens é único porque separa trabalhadores por idade e qualificação, para isolar onde ocorrem os piores efeitos do salário mínimo. A descoberta de que jovens sem ensino médio completo são os mais prejudicados não é bom presságio para as minorias: a proporção de alunos que completam o ensino médio são menores para negros (68%) e hispânicos (76%) do que para brancos (85%) e asiáticos (93%). Essa pode ser uma das razões porque a taxa de desemprego entre jovens brancos, 14%, é tão menor do que a taxa de desemprego entre jovens negros de 24%.

Ao invés de propor aumentos no salário mínimo de todos para US$ 10 ou até US$ 15 por hora, condutores de políticas deveriam procurar maneiras de garantir que indivíduos vulneráveis fossem poupados. Uma solução é permitir que qualquer pessoa abaixo de 25 possa trabalhar por um salário especial abaixo do mínimo , assim aumentando suas oportunidades de emprego e ainda satisfazendo a necessidade política de manter salários mínimos em padrão mais alto.

A nova evidência apresentada pelo paper de Clemens é um importante lembrete de que políticas bem intencionadas têm custos. O salário mínimo tende a beneficiar os trabalhadores mais velhos e já estabelecidos às custas do jovem e de baixa qualificação. Ao entrarmos em 2016, condutores de políticas deveriam tentar encontrar soluções mais inovadoras para a pobreza do que o salário mínimo.


Esse artigo foi originalmente publicado como Truth hurts: Minimum wage hike’s victims para o CapX .


Notas:

  1. Nesse período, houve nos EUA um aumento real de 32% no salário mínimo federal , um dos maiores aumentos de toda a série histórica. (N. do E.)

Sobre o Autor

Preston Cooper é analista de políticas no Economics21.

4 Comments

  1. Excelente!!!

  2. Um “estudo” em um país onde a taxa de desemprego ainda é bem menor que a nossa, e em muito por conta da crise econômica que quebrou os bancos e não pelos salários, que lá são maiores que os daqui (da última vez que soube o mínimo era o equivalente a R$ 1500), então pela lógica dele, aqui deveria ter mais empregos do que nos EUA. O mais absurdo é esse “especialista” associar a falta de oportunidades a certos grupos ao valor do salário e não à falta de estudo. É como os “especialistas” em violência que atribuem a violência à miséria e não às leis e omissão do estado.

    Que dia terrível para saber ler…

    • Caro Anderson, o salário mínimo nos EUA, se feita a conversão ($1,00 = R$4,00), é de algo em torno de 1150 reais POR SEMANA.
      É meio complicado fazer a conversão elas por elas por diversos fatores, porém, te falando do mais básico possível: economia = produção. Quando você faz esse tipo de comparação da situação econômica interna entre EUA e Brasil, é preciso saber, no mínimo, que a produção individual dos americanos é mais de 4x superior a dos brasileiros. E, como você deve saber, o mercado local se adapta a situação econômica do mesmo local.
      Ou seja, se pensarmos da maneira mais básica, o salário mínimo do americano é maior porque, na média, ele produz mais. E o desequilíbrio, que muitas vezes advém de medidas populistas, resulta nesse problema que é tratado no texto (além de muitos outros).

  3. Artigo top! Só bale lembrar que já na década de 1980 Walter E. Williams chegou as estas mesmas conclusões. Ver o vídeo “Good intentions with Walter E. Williams” no youtube

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