O papel do economista – apontar a incompatibilidade do planejamento central como um meio de atingir o nível de bem-estar que os países buscam – foi definido como uma “tarefa ingrata, (pois) a maioria das pessoas são intolerantes a qualquer crítica às suas crenças econômicas e sociais… (e) não entendem que as objeções levantadas se referem apenas aos métodos inadequados e não rejeitam os objetivos finais de seus esforços” ( Mises, 1944 ).

Porém, em circunstâncias como as da Venezuela atual, esta tarefa é ao mesmo tempo ingrata e completamente desanimadora. Uma série de fotografias publicadas recentemente e uma investigação da Reuters apresentaram um trágico resumo da situação atual no país sul-americano, há três anos sob o regime de Nicolás Maduro 1 que seguiu e continuou os 14 anos dos programas socialistas de bem-estar de Chávez . Outras histórias das dificuldades da então classe média mostram que o futuro da Venezuela é mais sombrio do que o imaginado em 2013, quando os eventos atuais estavam apenas começando a se revelar.

Meu irmão, um advogado que uma vez já teve o nariz empinado, reconheceu: ‘Nós nem mesmo temos as mangas para terminar o jantar’, disse. Eu olhei para a árvore. Nós moramos no terceiro andar, então sempre fomos capazes de apanhar as frutas mais altas muito facilmente. Na estação, elas geralmente vão para o lixo. Este ano a árvore já está pelada. (…)

Eu sonho com um supermercado com as prateleiras cheias de produtos. Isso geralmente acontece após um longo dia permanecendo na fila de uma loja sob o sol, esperando pela chegada de um caminhão de entrega. Café e leite se tornaram luxos para mim há alguns anos, mas a escassez realmente assustadora – de coisas como pão e frango – atingiram a minha casa de classe média no início deste ano. Já houve uma semana em que tive de escovar meus dentes com sal.

Não há mais argumentos e explicações adicionais além dos que nós já conhecíamos sobre o destino da Venezuela três anos atrás. Tudo o que restou é transmitir mais uma vez a mesma advertência: A situação da Venezuela só está distante das economias avançadas em aparência. Porém, a diferença entre ela e o resto do mundo é de intensidade, não de natureza. Em algumas décadas, qualquer país pode sair do controle se as decisões políticas que toma levarem a se aproximar cada vez mais do socialismo. E qualquer país pode se mover em direção à prosperidade no mesmo breve período de tempo – apenas veja o que Cingapura conseguiu alcançar com relativo (porém longe do ideal) livre mercado desde 1965.

De fato não há outra opção, apenas idas e vindas entre estes dois possíveis cenários. Nas palavras de Mises , “não existe uma terceira via entre uma economia de mercado e o socialismo. (…) A escolha para a humanidade (…) é entre capitalismo e caos” ( Mises, 1944 ). E quando os venezuelanos estão lentamente tentando providenciar um referendo para retirar Maduro e seu regime, eles estão de fato encarando esta grande decisão.


Esse artigo foi originalmente publicado como Venezuela Has But One Choice: Capitalism or Chaos para o Mises Institute .


Notas:

  1. Esse artigo foi originalmente escrito em agosto de 2016. Hoje, Maduro já está no poder há mais de quatro anos. (N. do E.)

Sobre o Autor

Carmen Dorobăț possui PhD em economia pela University of Angers, e é professora assistente de negócios na Leeds Trinity University.

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