Os países nórdicos europeus são frequentemente lembrados por entusiastas de Estados prolixos como exemplos de sucesso das políticas que defendem. Nesse artigo, vamos investigar a história econômica recente do mais citado deles: a Suécia.

A análise geralmente feita é simples e superficial: a Suécia é um país rico e sem pobreza, seu governo interfere na economia e distribui generosos benefícios à população, logo o Estado é um agente importante na redução da pobreza e no desenvolvimento econômico. É preciso um pouco mais de esforço do que isso para perceber que a realidade não é bem assim.

Do começo do século XIX até hoje, é possível enxergar cinco fases distintas na economia sueca. Vamos analisar cada uma delas, com ênfase nas políticas adotadas e no crescimento econômico obtido em cada uma.

Para os dados de crescimento econômico dos anos entre 1820 a 2008, usaremos o extraordinário trabalho feito por Angus Maddison e depois expandido por outros economistas. Porque esses dados infelizmente só vão até 2008, usaremos complementarmente dados do Banco Mundial para os anos entre 1990 e 2014 — apesar de que olhando só até 2008, nossa conclusão já estaria completa.

Tanto pelo Projeto Maddison como pelos dados do Banco Mundial, estamos sempre falando em PIB per capita ajustado pelo poder de compra de cada país (ou região) e de cada época. Isso torna os dados comparáveis no mundo todo e ao longo da história. Por exemplo, o Projeto Maddison diz que o PIB per capita na China de 1500 era de 600  Int$ , enquanto que na Indonésia de 1970 era 1181 Int$. Isso quer dizer que o indonésio de 1970 tinha em média quase o dobro do poder de compra do chinês de 1500; em outras palavras ainda, sua renda permitia-lhe comprar quase o dobro de bens e serviços.

Essa é a estatística que importa para medir qualidade de vida da população, por isso é a que estamos usando.

Suécia no início do século XIX: um país pobre

No início do século XIX, quase toda a população mundial vivia no campo e produzia alimentos, e na Suécia não era diferente . Isso quer dizer que a produção econômica de cada país (e, por consequência, seu padrão de vida) era determinada por sua capacidade de produzir alimentos. As condições naturais ao redor do pólo norte não são particularmente favoráveis para atividades agropecuárias, e por isso Suécia, Noruega e Finlândia estavam entre os países europeus mais pobres da época.

Pib per capita 1820
PIB per capita dos países europeus em 1820, em dólares internacionais de 1990 e ajustado ao poder de compra de cada país.

Apesar disso, a Suécia vinha de uma revolução pró-mercado na agricultura que seria importante para o rápido crescimento que viria mais à frente. Nos anos entre 1790 e 1815, o governo transferiu a propriedade de grandes áreas rurais para fazendeiros , estimulando o livre mercado na produção e comercialização de produtos do setor primário. Isso criou no país país um ambiente onde o mecanismo de preços de mercado direcionava as ações dos agentes .

Outras características fundamentais foram os investimentos que fizeram em canais e estradas e o surgimento de companhias de comércio e de sociedades de crédito para financiar capital. Por fim, a Suécia foi o primeiro país do mundo a ter escolas públicas e gratuitas , criando uma população alfabetizada e muito mais economicamente produtiva.

Esse ambiente favorável causou um surto demográfico e de prosperidade que terminou de abrir as portas para a industrialização.

1820 – 1950: duas revoluções industriais e abertura comercial

Até mais ou menos meados do século XIX, microindústrias espalhadas pelas zonas rurais do país, principalmente de aço e madeira, desenvolveram-se em organizações maiores e mais especializadas , caracterizando uma primeira revolução industrial.

Nos anos 1850s, a maior parte das tarifas e outras barreiras a importações foram abolidas , e em 1873, o país adotou o padrão-ouro (o que significa adotar uma paridade fixa entre sua moeda oficial e o ouro). Além disso, a rede ferroviária foi largamente ampliada , tanto pelo governo como por empresas, interligando todo o país.

Como consequência, a Suécia pôde especializar-se na produção e exportação de bens que a Europa demandava: aço, madeira e aveia, enquanto importava tudo aquilo que não produzia internamente. No final do século, era um dos países mais abertos ao comércio exterior da Europa.

Com o aumento abrupto nas exportações, os investimentos na indústria também aumentaram. Estima-se que entre 1850 e 1890, a taxa de investimento sobre o PIB tenha saltado de 5% para 10% . A abertura comercial permitiu ao país importar pesada quantidade de bens de capital — um dos aspectos essenciais para a segunda revolução industrial que viria a seguir.

O outro foi o robusto mercado de crédito e capital que desenvolveu-se na época. Em 1848 foi editada uma lei de sociedades abertas, e em 1866 foi estabelecida a Bolsa de Valores de Stockholm. Ao banco central sueco foi dado em 1897 responsabilidade legal de prover liquidez ao mercado de crédito, fomentando a criação de pequenos bancos privados locais , que por sua vez financiavam pequenos novos negócios.

A partir daí diversas novas indústrias surgiram, em diversos novos setores que em alguma medida substituíram os setores antigos , que agora encontravam competição internacional mais acirrada. Em suma, nos primeiros anos do século XX a economia sueca era robusta, estável e dinâmica.

As políticas econômicas desse período foram, portanto, quase todas liberais. Benefícios sociais, redistribuição de lucros, alta carga tributária, e todas as coisas que caracterizam o Estado do Bem-Estar Social não estiveram presentes até 1950. A Suécia era um país que tinha, para sua época, um mercado livre e, consequentemente, forte. E isso se reflete em sua taxa média de crescimento:

Crescimento médio anual per capita entre 1990 e 1993
Crescimento médio do PIB per capita no período, ajustado pelo poder de compra de cada país ou região.

Aqui já temos o argumento mais forte de todos para refutar a hipótese de que o Estado do Bem-Estar Social trouxe qualidade de vida aos suecos: antes mesmo de serem adotadas as medidas que caracterizam essa linha de condução econômica, o sueco já tinha poder de compra 1,68x o europeu e 3,21x o mundial. É senso comum que a causa não pode ocorrer cronologicamente depois do efeito, então não é possível que as políticas adotadas a partir de meados do século XX expliquem o alto padrão de vida dos suecos em 1950.

Essa explicação vem, na verdade, das políticas conduzidas durante os mais de cem anos anteriores ao pós-guerra. A diferença de taxas de crescimento pode parecer pouca, mas ao aplicá-las pelos 130 anos a que correspondem, descobrimos que o PIB per capita sueco aumentou mais de oito vezes no período, enquanto que o europeu não aumentou nem quatro.

PIB per capital 1950
PIB per capita dos países europeus em 1950, em dólares internacionais de 1990 e ajustado ao poder de compra de cada país. Os países que, por indisponibilidade de dados, não estavam no gráfico anterior, estão aqui em cor mais clara.

1950 – 1970: O Modelo Rehn-Meidner

Com tamanha abundância de recursos, muitas famílias suecas já faziam caridade voluntariamente. De acordo com o economista sueco Per Bylund , isso foi determinante para que a população aceitasse que o Estado assumisse o papel de organizar e distribuir essas assistências .

Todo o Estado do Bem-Estar Social sueco foi idealizado e construído pelo Partido Social Democrata (SAP, na sigla em sueco). Dos quase 110 anos em que a Suécia foi um reino separado da Noruega , o partido esteve no poder por nada menos que 69 deles — inclusive 40 anos ininterruptos, entre 1936 e 76.

Desde seu primeiro governo, na década de 20, o SAP já  buscava “nacionalizar” a economia no bom e velho estilo soviético . Diante da dificuldade política encontrada nessa abordagem, mais pra frente escolheu-se deixar a produção de bens a cargo dos capitalistas, mas deram ao Estado a responsabilidade da “justa distribuição” de seus frutos à sociedade .

Em um congresso de 1951, dois economistas de uma confederação sueca de sindicatos, Gösta Rehn e Rudolf Meidner , apresentaram um programa de políticas macroeconômicas que ficou conhecido como modelo Rehn-Meidner — às vezes chamado de Modelo Sueco. Esse modelo serviu de norte para a condução econômica no país pelo menos até início da década de 70, mesmo que nem sempre tenha se conseguido cumpri-lo à risca.

Nos anos que se seguiram da Segunda Guerra Mundial, a economia sueca estava superaquecida pelo processo de reconstrução europeu . O problema que antes da guerra era de desemprego, agora era de inflação causada pela disputa por mão-de-obra. O governo tentou, através de diversas medidas intervencionistas , e sem sucesso, conter a inflação — entre elas um congelamento de salários em 1949 e 50.

O modelo Rehn-Meinder foi desenhado como tentativa de solucionar o problema da inflação, mas sem abrir mão do pleno emprego vigente . Recomendava-se usar gastos públicos e impostos para manter o nível de atividade econômica logo abaixo daquele que normalmente seria o de pleno emprego (e que pudesse, portanto, gerar pressões inflacionárias). As “ilhas de desemprego” que sobrassem seriam eliminadas através de políticas ativas no mercado de trabalho , ao por exemplo determinar retreinamento ou realocação de trabalhadores.

A partir de meados da década de 50, as negociações salariais passaram a ser conduzidas centralizadamente entre as centrais sindicais de patrões e empregados. Essas negociações resultaram em generosos aumentos nos salários de trabalhadores pouco produtivos, e imposição de limites aos salários mais altos — parte do que o modelo Rehn-Meidner cunhou de política salarial “solidária” .

Por fim, a alta carga tributária foi usada pelo governo para prover extensos serviços assistenciais à população, “do berço ao túmulo” . Lennart Erixon resumiu o modelo no diagrama abaixo , relacionando seus objetivos aos meios de obtê-los.

Diagrama do Modelo Rehn-Meidner
As caixas retangulares no centro representam os objetivos que o modelo pretende alcançar. Os círculos em volta representam os conjuntos de políticas sugeridas. Subsídios ao emprego só foram incorporados ao modelo na década de 70 e, por simplificação, não foram tratados nesse artigo. Poupança pública foi considerada por Erixon um objetivo intermediário e, pelo mesmo motivo anterior, só foi tratada indiretamente. As setas numeradas, que são melhor explicadas no texto , representam a maneira como cada política contribui para o alcance dos objetivos propostos.

É nítido o contraste entre as políticas econômicas tomadas nesse período com as do anterior. Percebemos isso nas palavras do próprio Meidner:

“O Modelo Sueco […] é reformista pela perspectiva de que a propriedade privada e o livre mercado são amplamente aceitos, mas é socialista no sentido de valores fundamentais do movimento trabalhista terem sido incorporados. O modelo é firmemente baseado na ideologia socialista, mas ao mesmo tempo sugere métodos viáveis para atingir seus objetivos.” – Meidner, Rudolf. Why did the Swedish Model Fail?

E qual foi o resultado desse experimento de engenharia social em termos de crescimento econômico?

Crescimento médio anual per capita entre 1950 e 1970
Crescimento médio do PIB per capita no período, ajustado pelo poder de compra de cada país ou região.

As invejáveis taxas de crescimento do período anterior foram substituídas por outras bem comparáveis às da Europa e às resto do mundo — na verdade, acima dessa e abaixo daquela. Deve-se levar em conta que nesse período a economia do país foi muito beneficiada por ter mantido sua indústria intacta durante a guerra, e depois a utilizado na reconstrução do continente .

1970 – 1990: O apogeu do Estado do Bem-Estar Social

O final da década de 60 foi muito politicamente agitado no mundo todo. Estudantes na França e em boa parte do mundo ocidental realizaram protestos defendendo causas socialistas e da esquerda em geral. Até no Brasil, esses anos foram os mais violentos do regime militar , tanto por conta dos movimentos clandestinos revolucionários como pela repressão do governo.

Na Suécia, também houve manifestações estudantis de esquerda . Essa geração de estudantes foi a primeira que já nasceu no Estado de Bem-Estar Social, e ao tornarem-se adultos, cidadãos e, portanto, condutores da política nacional, promoveram uma guinada ainda mais forte ao Estado provedor de bem-estar social . O resultado foram os vinte anos na história da Suécia mais bem lembrados por aqueles que defendem um Estado regulador e intervencionista.

Em meados da década de 70, o governo oferecia tratamento médico gratuito em hospitais, subsídios para consultas em clínicas, dentistas e remédios, esterelizações e abortos gratuitos, ajuda de custos mensal para cada filho, seguro-desemprego de aproximadamente 80% do salário anterior, pensões para aposentados e muito mais .

O Estado passou a intervir também diretamente na distribuição dos lucros das empresas. Meidner percebeu que impor um limite aos salários mais altos significava reservar um montante do faturamento para o empresário . Para corrigir essa “distorção”, o economista apresentou uma proposta segundo a qual uma parcela do lucro seria convertida em ações da própria empresa que ficariam retidas em um fundo dos trabalhadores  gerido pelo sindicato. Em vinte anos, os trabalhadores deteriam, através de seu sindicato, 52% das ações da empresa em que trabalham .

Em resumo, a medida que ficou conhecida por Löntagarfonderna daria o último passo para o socialismo. Ela foi debatida por anos, até que em 1984 finalmente entrou em efeito , mas sem os principais de seus dispositivos, inclusive o de que os fundos seriam compostos de ações da própria empresa.

Por fim, o setor público cresceu muito dentro da economia sueca. Pelos dados de Bylund (2013), a razão entre empregado público/privado saltou de 0,386 em 1970 para 1,51 em 1990 . Já para Meidner (1993), o número de funcionários públicos quase triplicou entre 1960 e 1980, e em 1993 estava em um terço da força de trabalho total .

Como tudo isso impactou o crescimento econômico do país?

Crescimento médio anual per capita entre 1970 e 1990
Crescimento médio do PIB per capita no período, ajustado pelo poder de compra de cada país ou região.

Mais uma vez, o país fica para trás de seus pares europeus, dessa vez em linha com o resto do mundo. Defensores do Modelo Rehn-Meidner argumentam que ele teria sido abandonado pelo governo  no início da década de 70, o que supostamente explicaria essa desaceleração e a derrocada econômica que veremos adiante.

De fato, os gastos públicos explodiram , naufragando uma das recomendações centrais do modelo que é o governo segurar o nível de atividade econômica através de seus gastos e impostos. Mas intervenções no mercado de trabalho continuaram sendo praticadas — e inclusive aumentaram até 1985 .

O próprio aumento descontrolado de gastos com bem-estar social não deve ser visto como tendo sido originado fora do modelo. Como vimos, ele próprio criou uma geração de jovens que acreditava que qualquer desejo era um direito . Esses benefícios distribuídos custavam muito caro ao governo, que se viu obrigado a  desvalorizar sua moeda diversas vezes entre 1949 e 1982 diminuindo, através da inflação , o padrão de vida da população. Essas desvalorizações foram cada vez maiores — só entre 77 e 82 , desvalorizou-se mais de 40%.

Além da inflação, a carga tributária aumentou sensivelmente. Na virada para a década de 70, o governo sueco trocou parte de sua arrecadação de impostos diretos (que incide sobre pessoas, e que são, portanto, mais fáceis do contribuinte perceber o quanto está pagando) para tributos indiretos (embutidos no valor de bens e serviços, difícil de o contribuinte saber ao final do mês quanto pagou).

Evolução tributária
A linha vermelha corresponde aos impostos indiretos, a verde aos impostos diretos, e a azul ao total; todas em relação ao PIB. Gráfico elaborado por Nima Sanandaji (exceto pelo grifo) com base em dados da OCDE.

Essa reforma abriu caminho para sucessivos aumentos na carga tributária entre 1970 e 90, quase que exclusivamente através de impostos indiretos. Algumas alíquotas marginais chegaram a ultrapassar os 100% . E a despeito de tudo isso, segundo Per Bylud, a dívida pública sueca praticamente decuplicou entre 1975 e 1985 .

Se existe alguma discussão sobre a aderência das políticas econômicas adotadas nesses vinte anos ao Modelo Rehn-Meidner, não pode haver qualquer dúvida quanto a sua não aderência a princípios liberais. O país, que no meio do século era um dos mais ricos do mundo, na década de 80 acelerava em linha reta para uma catástrofe econômica.

1990 – 1993: A crise econômica

Em 1985, a situação fiscal no país já causava dificuldades para o governo se financiar, o que o obrigou a desregulamentar o sistema financeiro para reestimular o mercado de crédito. Além disso, entre 85 e 89 o Banco Central sueco aumentou em 975% seus empréstimos ao sistema bancário , alimentando uma bolha imobiliária que cresceu e estourou no início da década de 90, causando a falência de diversas empresas e bancos pelo país .

Numa tentativa de evitar fuga de capital durante essa crise, o banco central sueco elevou a taxa básica de juros a 500% em setembro de 1992. A debandada de investidores estava martelando a taxa de câmbio fixada pelo governo, e a puxada nos juros foi uma tentativa desesperada de segurar divisas no país. Sem sucesso, dois meses depois o governo abandonou o câmbio fixo  e abriu caminho para a desvalorização da moeda .

Crescimento médio anual per capita entre 1990 e 1993
Crescimento médio do PIB per capita no período, ajustado pelo poder de compra de cada país ou região.

Nesses três anos, a Suécia teve retração média de 2,27% ao ano, enquanto que o resto do mundo, também em crise , ficou estagnado. As políticas de intervenção e distribuição fracassaram e foram abandonadas — inclusive pelo Partido Social Democrata — como veremos a seguir.

1993 – 2014: Orçamento equilibrado

Segundo Bylund, os governos que vieram depois da crise, independentemente do partido, vêm “aumentando as restrições às políticas assistencialistas, desregulamentando os mercados e privatizando antigos monopólios governamentais.” Em 1996, foram adotados um teto de gastos públicos e uma meta de supervávit fiscal . Como resultado, a dívida pública vem se reduzindo consistentemente.

Dívida pública em relação ao PIB
Fonte: index mundi

O próprio PIB recuperou-se modestamente como vemos abaixo:

Crescimento médio anual per capita entre 1993 e 2014
Crescimento médio do PIB per capita no período, ajustado pelo poder de compra de cada país ou região.

A Suécia hoje está longe de ser um exemplo de liberalismo econômico, mas é a 23a economia mais livre do mundo (de 178 avaliadas) segundo o Índice de Liberdade Econômica da The Heritage Foundation . Se sua carga tributária é de 44% e se muito dessa arrecadação é usada para financiar programas assistenciais , sua inflação está próxima de zero, sua tarifa média de importação é de 1,0% (a nossa é de 7,7%), e  o Estado garante o direito à propriedade privada punindo infratores .

Em resumo, não serve de argumento para validar ou invalidar políticas liberais ou intervencionistas.

Conclusão

Vamos agora juntar tudo isso em um gráfico só. Cada área cinza representa um dos cinco períodos analisados a partir de 1820. A linha azul é o PIB per capital sueco dividido pelo PIB per capita mundial, ambos ajustados por poder de compra. A linha verde é quando dividimos pelo PIB europeu.

Evolução da renda per capita da Suécia em relação à Europa e ao mundo.
Evolução da renda per capita, ajustada ao poder de compra, da Suécia em relação à Europa (verde) e ao mundo (azul). As linhas mais claras foram feitas com base nos dados do Banco Mundial. Até 1950, os dados não estão disponíveis para todos os anos. Por isso foram considerados crescimentos constantes entre períodos para os quais há informação disponível.

A faixa na base mostra que partido estava no poder: cinza refere-se ao período em que Suécia e Noruega eram um reino só; vermelho é o Partido Social Democrata; e preto é qualquer outro partido.

Olhando para o gráfico, é difícil de concordar que o que causou o alto padrão de vida sueco que conhecemos hoje (e que a esquerda tanto admira) foram as políticas adotadas a partir de 1950. Em 1951, ano de apresentação do Modelo Rehn-Meidner, a Suécia já possuia esse padrão de vida. Durante o período em que as tão admiradas políticas sociais foram tomadas, o país evoluiu no mesmo ritmo do resto do mundo, e pior do que seus pares europeus. Elas não lhe trouxeram benefício algum.

Ao longo dos últimos duzentos anos, a economia sueca oscilou por alguns períodos de livre mercado e outros de enorme interferência estatal, mesmo que tecnicamente não se possa dizer que chegou a ser socialista. Já os países que experimentaram o socialismo são todos, sem exceção, ilustrações didáticas de desastres sociais.

Nesse contexto, a Suécia deve ter parecido, àqueles que por qualquer motivo defendem uma forte presença do Estado na economia, um possível exemplo de sucesso daquilo que tanto querem. Tudo o que vimos acima afasta essa hipótese em definitivo. O que promove melhor qualidade de vida para a população de qualquer país, inclusive os mais pobres , é mesmo o liberalismo econômico.

Para se aprofundar no assunto

Não era intenção desse artigo entrar em todos os detalhes do Modelo Rehn-Meidner, mas para quem quiser conhecê-lo melhor, o artigo Why did the Swedish Model fail? escrito por Rudolf Meidner em 1993 é uma excelente fonte de informação. De forma descontraída, ele conta da perspectiva de alguém que viu tudo do “lado de dentro” como foram a inspiração e a criação do modelo, sua aplicação e o que, a ser ver, deu errado.

Para um artigo mais técnico e detalhado, A Swedish Economic Policy – The Theory, Application and Validity of the Rehn-Meidner Model  de Lennart Erixon faz uma análise completa do plano, com dados estatísticos, muita informação e importantes conclusões. Esse é indicado para alguém que realmente queira se aprofundar no modelo.

Outro artigo que não foi aproveitado integralmente, mas que merece sua leitura, é Como o assistencialismo corrompeu a Suécia  de Per Bylund. O autor conta como foi a mudança na mentalidade e nos valores suecos durante o século passado, e como isso interagiu com a evolução econômica do país. Aliás, todos os artigos do Bylund sobre a Suécia valem a leitura.

Por fim, a página da Economic History sobre a história econômica sueca foi muito consultada para escrever a primeira parte do artigo, e contém muita informação que não coube no mesmo mas que pode satisfazer a curiosidade de um leitor mais interessado.


Sobre o Autor

Presidente da Academia Liberalismo Econômico, é formado em economia pela FEA-USP com especialização em estatística pela FIA-USP. Dentro da economia, tem interesse especial por microeconomia e história econômica. Também gosta de estudar história geral e filosofia.

26 Comments

  1. Marilia de Oliveira Assuncao - Responder

    Excelente análise!

  2. Excelente trabalho. Parabéns.

  3. Em tempos de crise de um governo de esquerda, um artigo assim é um farol na escuridão brasileira. Obrigado

  4. Muito interessante!
    Acredito que artigos que tratem de forma descomplicada a economia podem fazer os cidadãos escolherem melhor o rumo que querem para a politica de seus países.

  5. Suécia é um fracasso total: o pais acabou com cultura judaica-cristã e adotou multiculturalismo e ateismo; e hoje é capital do estrupo. Depois do Reino de Lesoto, incrustado na África do Sul, o segundo lugar fica com a Suécia. O país escandinavo sempre esteve no topo do ranking do IDH, o Índice de Desenvolvimento Humano (cravava a 14.ª posição em 2014).
    Famoso por suas políticas progressistas, foi trocando a força econômica que possuía graças ao liberalismo laissez-faire pela crise econômica, cultural e civilizacional, para hoje ter uma economia abalada graças ao Estado de Bem-Estar Social. As projeções da ONU indicam que pode se tornar um país de Terceiro Mundo ainda em 2030 – talvez o país mais pobre da Europa, mais pobre do que economias estacionadas como Grécia, Albânia ou os países belicosos do Leste.

  6. Artigo ideologicamente comprometido. Independentemente das considerações ideológicas – e não técnicas como parece querer fazer passar o autor – conheço as realidades da Suécia, EUA, Holanda, Áustria. Se tivesse que escolher um desses países para viver, a última opção seria os EUA, precisamente o mais liberal dos quatro.
    A experiência mais longa da recente história económica é precisamente o liberalismo. Todas as experiências das social democracias enquanto paradigma de organização social são mais recentes. Se apareceram foi, precisamente, porque o liberalismo nunca, e repito, nunca conseguiu resolver o problema da pobreza. As social democracias são precisamente o equilíbrio entre os extremismos do novo liberalismo – e sei que os que se arrogam de liberais não gostam do termo – e do comunismo. Há uma razão para isso: nem o comunismo nem o neoliberalismo vão ao encontro das expetativas dos cidadãos que aspiram a ter uma vida digna para si,para os seus filhos e para o seu semelhante. Se a humanidade quer continuar a evoluir, tem de se libertar de um sistema que assenta num defeito de caráter: a ganância, tratada eufemisticamente como ambição. É óbvio que enquanto a ganância persistir, haverá defensores do liberalismo, mas não finjam que há razões técnicas para essa opção: há apenas é falta de ética.
    Nota final: saiu há uns meses uma notícia sobre a redução do horário de trabalho dos suecos de 8 horas diárias para 6 horas diárias, precisamente em nome da qualidade de vida das pessoas. Não me parece que um sistema moribundo se pudesse dar a esse luxo. Pelo contrário, o meu irmão que vive em Dallas, Texas, trabalha 14 horas por dia e tem dificuldade em ir aos tratamentos de quimioterapia por não serem compatíveis com o horário de trabalho e porque não são comparticipados pelo Estado do Texas. Sobre isto é que o gostava de ver refletir, se conseguir…

    • Melhor comentário!!

    • No artigo em nenhum instante é dito que os Estados Unidos, símbolo do corporativismo e não do liberalismo, é superior a Suécia, Holanda ou Áustria, aliás ele sequer é citado e quem está “ideologicamente comprometido” é o artigo hahahaha.

    • “Artigo ideologicamente comprometido. Independentemente das considerações ideológicas – e não técnicas como parece querer fazer passar o autor – conheço as realidades da Suécia, EUA, Holanda, Áustria. Se tivesse que escolher um desses países para viver, a última opção seria os EUA, precisamente o mais liberal dos quatro.”

      Mas não mostra onde não é?

      “A experiência mais longa da recente história económica é precisamente o liberalismo.”

      Não venha mentir. Os EUA não são liberais desde 1913 e outra, os EUA não são os mais liberais do mundo tem 11 na frente dele.

      Hong Kong
      Singapura
      Nova Zelândia
      Austrália
      Suíça
      Canadá
      Chile
      Estónia
      Irlanda
      Ilhas Maurícia
      Dinamarca
      “Todas as experiências das social democracias enquanto paradigma de organização social são mais recentes.”

      Claro, essas foram por que já viveram em livre mercado.
      “Se apareceram foi, precisamente, porque o liberalismo nunca, e repito, nunca conseguiu resolver o problema da pobreza.”

      A não não é? E na Suíça? E em Singapura?

      “tem de se libertar de um sistema que assenta num defeito de caráter: a ganância, tratada eufemisticamente como ambição.”

      Ganância? A sim eu vi muito la nos escandinavos

      “É óbvio que enquanto a ganância persistir, haverá defensores do liberalismo, mas não finjam que há razões técnicas para essa opção: há apenas é falta de ética.”

      Epa epa esqueridista detectado, só o que vejo são comunistas muito mais gananciosos pois nos l Por que fala que liberais são gananciosos mas não fala que comunistas são mais ganancisos ainda?

  7. Sr Jaime Macedo , há muito tempo não vejo um comentário tão lúcido, tão pé-no chão como o seu. Parabéns, só disse verdades que fazem a ficha cair. O artigo apresenta vária induções de pensamento que não condizem com os fatos. Liberalismo é palavra linda de se falar, mas é baseado em crescimento contínuo ,exponencial, como se isso fosse possível. Como bem o Sr resumiu: Ganância.

  8. Suíços são um povo muito atrasado, pode existir tese mais libertária do que oferecer uma renda as pessoas para que elas possam em sua plenitude decidir exatamente o que gostariam de fazer nas suas vidas sem a necessidade de subsistência além de liberta-las da necessidade de suporte dos aparatos sociais do estado? Enquanto isso o conceito do bolsa família segue por aqui cegamente rejeitado por uma minoria desinformada

    “Genebra – Em 1516, em seu livro Utopia, o britânico Thomas More relatava uma conversa entre um bispo e um viajante. Ambos debatiam a pena de morte e chegavam à constatação de que ela não estava sendo eficiente para frear a onda de assaltos. Ao examinar eventuais soluções, uma delas foi escolhida como a mais adequada.

    “Em vez de infligir punições horríveis, seria muito melhor prover a todos algum meio de subsistência, de tal maneira que ninguém estaria se submetendo à terrível necessidade de se tornar primeiro um ladrão e depois um cadáver”, disse More.

    De uma forma revolucionária, ele propunha pela primeira vez que uma renda básica fosse criada como forma de garantir que todos tivessem uma forma de sobreviver.

    Exatos 500 anos depois, o que era uma utopia ganha sua primeira chance de se tornar uma realidade para todo um país. Ironicamente, será justamente num dos países mais ricos do mundo, com um índice de desemprego de menos de 4% e com as menores taxas de criminalidade do mundo: a Suíça.

    No próximo dia 5, os suíços vão às urnas para dizer se aceitam ou não uma proposta para a criação de uma renda básica incondicional, que seria dada do nascimento à morte de todos os cidadãos, independentemente de sua profissão, grau de escolaridade, fortuna acumulada ou história pessoal.

    Os proponentes da ideia apontam que esse salário seria a maneira de garantir “uma existência digna e a participação na vida pública”, seja qual for a circunstância. Para a entidade Bien (sigla em inglês para Basic Income Earth Network), a proposta pode erradicar a pobreza e acabar com a dependência em sistemas de ajuda social.

    Liberdade

    A tese é de que, sabendo que contam com uma renda básica, as pessoas teriam a liberdade de escolher suas profissões, agir de forma voluntária para causas sociais, passar por períodos de treinamento e mesmo se concentrar em suas famílias.

    O argumento aponta até mesmo para o fato de que a produtividade da economia poderia aumentar, com as pessoas livres para serem criativas, testar ideias e projetos.

    “Precisamos de uma renda básica para permitir que cada pessoa seja seu próprio empresário”, defende o vice-presidente da Bien, Gabriel Barta.

    No texto que vai a votação nacional, o valor da renda não está estabelecido. Mas aqueles que defendem a ideia trabalham com uma projeção de que ela seria estabelecida em cerca de 2,5 mil francos suíços por mês para cada adulto (o equivalente a US$ 2.562, ou a R$ 8.976, pelo câmbio de sexta-feira). Menores de 18 anos ganhariam 625 francos (ou R$ 2.244).

    Na prática, quem ganha menos que a base receberia um acréscimo para garantir que tenham uma renda de pelo menos 2,5 mil francos.

    Em março, para promover a ideia, o campo do “sim” no referendo distribuiu notas de 10 francos para cada pessoa na estação de trem de Zurique. O objetivo era sensibilizar os eleitores de que não deveriam viver suas vidas baseados em necessidades financeiras.”

    Gustavo Ferreira Correia.

    • Ótimo texto. Novamente, é preciso combater a ganancia, mais um defeito de fábrica do ser humano, que é fonte de desigualdade, discórdia e criminalidade. Só alguns cegos ideologicamente não percebem e vem com o discurso fácil da criação de vagabundos. É preciso apostar no ser humano. Todos tem vocações e sonhos. Uns já nascem em berço de ouro, ou são mais inteligentes e esforçados e progridem mas outros não, e não é por isso que devemos condená-los ao exílio ou chamá-los de vagabundos mas sim, precisam de uma energia de ativação de suas competências. Sem isso o caminho da marginalidade está logo ali e não são grades e carros blindados que irão resolver o problema. No entanto nada disso funciona se não houver paralelamente educação massiva e de qualidade. Por outro lado não significa ser contra o empresário , gerador de riqueza e deve ser sempre estimulado, desde a inovação e incubação de empresas novas, mas apenas fazer o dinheiro circular pelas mãos das pessoas para dignificar suas vidas e não acumular somente nas grandes empresas em fusões e aquisições. A automação dos meios de produção permitiu o acúmulo de riqueza nas empresas, isso era mais que esperado, mas nem por isso a jornada de trabalho foi diminuída para criar mais turnos e dar emprego e tempo livre a mais pessoas. Muitos grandes empregadores poderiam pagar salários bem melhores, comparados ao lucro que tem mas não o fazem porque querem acumular para comprar seu concorrente, depois outro, e outro… montar um império, realmente bastante nobre…

  9. Texto é didático, apesar do apelo, talvez não venha ao caso, mas, eu nunca leio nestes textos, o fato dos países socialistas sempre sofrerem fortes embargos econômicos por parte dos países mais liberais, obviamente, dificultando bastante estas economias.

  10. faltou discutir o elemento central da questão: as taxas de desigualdade social. Partir da renda per capita e acreditar que todo mundo tinha um alto poder de compra no período anterior ao Estado de bem-estar social, sem levar em consideração a forma como a renda era distribuída, é no mínimo ingênuo, para não falar de uma distorção ideológica proposital. Além disso, o artigo pressupõe que o objetivo principal é o crescimento econômico e não o bem-estar das pessoas. Assim fica difícil…

  11. O artigo parte da crença nas utopias liberais e está postura ideológica radical atrapalha o articulista. Confundir social democracia com socialismo é um absurdo, uma vez que a primeira foi a opção dos países europeus para se contrapor ao socialismo soviético diante das demandas sociais no pós guerra. O socialismo nutria ódio viral pela SD, até maior que pelo liberalismo, pois sempre viram este como um meio de radicalizar o capitalismo levando a revolução socialista

  12. Achei uma análise bem válida, apesar de ainda trazer uma carga de “bom e ruim”, “certo e errado”. Gostaria de ver uma análise econômica que levasse em conta a importância da presença tanto da ideologia de direita quanto a de esquerda. Nunca tratamos o mundo como uma gangorra. A gangorra tem a tendência de se desequilibrar facilmente, por ser mto difícil equilibrar o peso de ambos os lados. Isso acontece com o mundo. É necessário períodos mais liberais e períodos com mais participação do estado. Nenhuma ideologia é capaz de resolver os problemas do mundo sozinha.

  13. Junio Martins De Araujo - Responder

    Excelente texto!

  14. Juliano Rodrigues Rossi - Responder

    Como os cavalheiros gostam de falar de ganância … por favor vejam o vídeo e reflitam

    https://www.youtube.com/watch?v=jfdZ2L78qsw

    Esses mesmo cavalheiros acreditam em seres humanos mágicos e fantásticos que não tem ganância.

  15. Não sou economista, apenas um curioso. Tenho inclinação à partidos de esquerda, pois sou muito tocado pelas mazelas sociais. Sou obrigado a concordar com os argumentos do artigo, caso so dados sejam mesmo precisos, o que parecem ser. Mas no cenário atual está acontecendo uma abrupta concentração de capital. A tecnologia, a informatização, o mercado de ações, criam gigantes cada vez maiores, com tanto político quanto econômico. Isso Não é ruim? Isso não é algo que um dia terá que ser contido dentro do livre mercado? De uma coisa eu sei, somos uma espécie de de indivíduos egoístas, e de algum modo esse egoísmo foi útil no capitalismo de livre mercado, mas agora, com a pressão ambiental, a superpopulação e o controle hegemônico de alguns setores da economia por poucas empresas, em nível planetário, parece estar colocando pressão no modelo. Não há mais terras a conquistar, não há mais mares a desbravar. Cada vez mais difícil a mobilidade social. Estou errado? Obrigado.

  16. Moisés, Você usa um computador que custava bilhões de dolores em 1950. Você usa um HDD de 512gb, sendo que em 1950 5mb custavam 120 mil dolores. Você usa um celular que pesava 5kg e custava 10 mil dolores em 1990, você, da camada popular -proleário, como esquerdista mencionam – come uma comida produzida, processada, distribuida e vendida por 16 milhões de empreendimentos buscanto lucro. Isso é ruim?
    Pessoas não morrem de desigualdade, mas sim de pobreza. Uma pessoa não passa fome por desigualdade, ela passa fome quando não há alimentos suficientes ou quando o dinheiro que ganha não é o bastante. A solução é algum sistema que produza riqueza e gere empregos ao mesmo tempo. Adivinha qual sistema é esse: Começa com Cap termina com lismo.
    Se você é a favor dos mais pobres, então você não é de esquerda.

  17. Interessante que cada pessoa se ache no direito de afirmar que seu ponto de vista é que é o correto. A ideologia do capitalismo é baseada no Egoismo, isso conforme um autor que fala sobre a história da filosofia que se baseia a economia. Conforme as teorias liberais o mercado se auto regula e gera o progresso, porém não é aceito pelos que o defendem o fato de este tender a cada crise a precisar de aporte do estado, e crises são cíclicas. Ora se o liberalismo tende a pegar dinheiro com o estado então que se faça uma analise real desse “Egoismo”, afinal o sistema se alimenta disso para sobreviver. Mas se deixar o próprio liberalismo se resolver em suas crises, qual seria o resultado? Será que a soberba dos poderosos não deixa que digam que esse também é um sistema incompleto (“é preciso a manipulação da consciência da população para o sistema continuar existindo”) e que de forma alguma é sinônimo de liberdade?
    Precisamos evoluir de sistema sócio-econômico, pois grandes crises são o estopim para as guerras, ou estou enganado?

  18. acho que o mercado econômico sempre vai oscilar. mas eu prefiro defender o socialismo econômico e político e o Estado.

  19. Professor me responde essa questão se possivel para estudo de faculdade, diante do resultado da balança comercial dos três principais produtos exportados no ano de 2016 Soja ,Minérios ,Óleos Bruto, qual causa que influenciaram para tal resultado da balança comercial.

    obrigado

  20. A radiografia econômica da Suécia ilustrada de forma histórica ficou bem abrangente, contudo o texto oculta fatores factuais e mecanismos de expansão produtiva, como as parcerias entre à estatal ferroviária e empresas privadas, que juntas contribuíram para o circuito da rede e de bens transportados, que acarretou por exemplo; na implantação das redes de telefonia e hidroelétricas do país ( e lembrando que desde o final do século XIX, a carga tributária vinha aumentando gradualmente). Pode-se ressaltar também o pacote de medidas de produção e proteção ao emprego e bem estar social, aplicadas no governo do Partido Trabalhista Social Democrata, que celebrou o acordo Saltjösbaden ( firmado em 1936), que minou o ímpeto proletário em organizar piquetes em troca de boas remunerações e proteção social ( fundo de assalariados) e assentos nos conselhos empresariais, onde poderiam dialogar com patrões e exporem suas demandas junto à seus sindicatos,( que foi substancialmente crucial para o aumento da capacidade produtiva e a expansão econômica). Os gráficos de desempenho econômico correspondentes ao período Rehn Meidner, talvez tenham sido ocasionados mais pela queda nos preços dos minérios à partir da década de 70’s, do que na política de contração salarial ( onde os maiores salários dos setores produtivos foram congelados e de certa forma realocados nos dos trabalhadores com erários inferiores), o que de certa forma propiciou a falência de empresas que não comportaram o aumento de suas respectivas folhas.
    Outra aspecto que se ressalta é, a histórica admissibilidade da sociedade sueca com seu modelo de bem estar social, independentemente do período, visto que mesmo entre crises sempre retomam à uma estrutura de estado que contemple garantias fundamentais de desenvolvimento humano e social, mesmo que implique em baixas de seus índices econômicos, talvez não somente os suecos, mas os demais povos escandinavos, tenham percebido que o Estado não deve figurar apenas nos flancos do desenvolvimento econômico ( o dos subsídios e desregulamentações) e ( do resgate e socorro financeiro), e atuar pontualmente durante essa cadeia para que não apenas o mercado e os detentores de patentes, regojizem das benesses dos meios de produção e garantias institucionais.
    Doravante em meio ao texto o autor não se arrisca à cravar ao que se deve mais o sucesso das politicas econômicas implementadas, explanando apenas que ” A Suécia hoje está longe de ser um exemplo de liberalismo econômico, mas é a 23a economia mais livre do mundo (de 178 avaliadas) segundo o Índice de Liberdade Econômica da The Heritage Foundation. Se sua carga tributária é de 44% e se muito dessa arrecadação é usada para financiar programas assistenciais, sua inflação está próxima de zero, sua tarifa média de importação é de 1,0% (a nossa é de 7,7%), e o Estado garante o direito à propriedade privada punindo infratores. Em resumo, não serve de argumento para validar ou invalidar políticas liberais ou intervencionistas”. Isso de certa forma entra em choque com sua própria conclusão, onde o articulista assevera que ” O que promove melhor qualidade de vida para a população de qualquer país, inclusive os mais pobres, é mesmo o liberalismo econômico”, acaba tornando-se uma antinomia.

  21. Excelente!! Parabens pelo texto e analise.

    A fantasia faz sonhar. So dados para analisar.

    Aproveito para deixar aqui o endereço do meu blog https://henriquecer.com/

    Abs.

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