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Os esquerdistas são mestres da indignação. Eles veem injustiça em toda parte – política, economia, vida profissional, sociedade – onde quer que humanos estejam interagindo uns com os outros. Independentemente do contexto, a solução que propõem é sempre a mesma: mais regulamentação governamental.

Os esquerdistas também amam usar a linguagem dos “direitos”: “As pessoas têm direito à assistência médica. Elas têm direito a um emprego. Elas têm o direito a um salário mínimo. É uma questão de justiça.” Enquanto essas afirmações certamente parecem positivas, existe um problema:

Elas ignoram a realidade.

Antes de falar de “como as coisas deveriam ser”, parece-me mais oportuno primeiro entender “como as coisas, de fato, são”. Se você deseja entender como o mundo funciona, você deve entender de economia. Não é opcional. Como Murray Rothbard afirmou:

Não é nenhum crime ser ignorante em economia, a qual, afinal, é uma disciplina específica e considerada pela maioria das pessoas uma “ciência lúgubre”. Porém, é algo totalmente irresponsável vociferar opiniões estridentes sobre assuntos econômicos quando se está nesse estado de ignorância.

Murray Rothbard
Murray Rothbard

A esquerda tem um histórico particularmente pobre quando o assunto é economia. Não são somente suas teorias confusas, mas demonstraram concretamente – por um século – que o planejamento central faz mais mal do que bem. (A União Soviética foi um paraíso esquerdista. De fato, examine a retórica da ex-União Soviética; soa estranhamente similar aos progressistas 1 atuais. A União Soviética não poderia ter sido uma catástrofe maior).

Qualquer teoria política destituída de raciocínio econômico sólido é inútil, na melhor das hipóteses; e perigosa, na pior. É como um carro sem motor, transmissão, rodas, janelas, assentos ou assoalho.

Imagine um artista cego tentando pintar uma réplica perfeita de um prédio que está à sua frente. Ele não tem tinta, pincel ou tela. Mas ele tem um guardanapo usado e lama. Esse é o teórico político que não entende de economia. Independentemente do produto final do artista, esse é o equivalente da teoria política sem economia.

Antes de falar de empregos, salários e planos de saúde aos quais as pessoas têm, supostamente, direito, devemos perguntar: como empregos, salários e planos de saúde passam a existir? Como funciona o sistema econômico? Bens e serviços econômicos não aparecem na natureza; a pobreza é o estado natural da humanidade; a riqueza é a exceção. Então, como os seres humanos enriquecem?

Não é através de um decreto governamental, muito menos, através do planejamento central. É através do mercado – do livre mercado. Não me dedicarei a argumentos econômicos aqui, já que existe grande quantidade de informação disponível para quem estiver interessado. Um conselho: se você ainda não entende porque o salário mínimo gera desemprego , intensifique seus estudos.

Todas as verdades econômicas são baseadas em um princípio fundamental: recursos são escassos, isto é, não existem coisas suficientes para atender os possíveis desejos de todas as pessoas. De alguma forma, portanto, os recursos devem ser alocados.

Não é uma questão fácil: como recursos escassos deveriam ser alocados? Cada país tem uma situação econômica diferente – muitos diamantes na África do Sul, muito petróleo no Oriente Médio, muitos produtos finais na China. Como e para quê todos esses recursos deveriam ser alocados? Contrário à intuição do planejamento central, o melhor método de alocação é dado pelo mercado, de forma espontânea e descentralizada. Você simplesmente permite que as pessoas comercializem entre si, sem planejamento estatal, e a riqueza é criada.

Declarações como “não deveria existir trabalho infantil!” podem soar bem, contudo, do ponto de vista econômico, são absurdas, com graves consequências no mundo real . Imagine que eu dissesse “a GM deveria produzir 3x mais carros, cobrando 50% a menos por unidade! Dessa forma, mais pessoas poderiam comprá-los.” Certamente, muitas pessoas gostariam da ideia, contudo, ela é totalmente descabida. Ela ignora incontáveis realidades econômicas, tais como:

Por que pessoas compram carros em seu preço atual?

Dada a quantidade limitada de aço e borracha no mundo, quanto deveria ser devotado à produção de carros em comparação com a produção de máquinas, ferramentas e outros bens?

Se tivesse que vender pela metade do preço, a GM realmente se importaria em fabricar carros?

Você poderia propor facilmente outros milhares de questões que exigem resposta. Em pouco tempo, a verdade torna-se clara: existem tantas peças móveis na economia que o planejamento central é impossível. É muito conhecimento para uma só mente. Em vez disso, os mercados utilizam um sistema de preços – extraordinariamente eficiente – para alocar recursos para a sua utilização ótima.

E isso não se aplica somente a carros. Esse tipo de alocação ocorre com literalmente todos os bens econômicos, de seguro-saúde a tênis de corrida. As leis econômicas não mudam dependendo do bem em questão. A produção de blusas não é intrinsecamente diferente da produção de alimentos, água, moradia ou serviços de saúde. Mesmo assim, sem exceção, os esquerdistas preferem negligenciar os fatos, recorrendo à retórica emocional vazia.

“Mas eu preciso de assistência médica para viver! Eu preciso de um salário mínimo! Não podemos permitir que a nossa vida fique nas mãos de empresários!”

Infelizmente, a retórica esquerdista ainda convence muitas pessoas. Junte isso com um governo democrático, e você tem a receita da pobreza sistêmica.

Novidade para os esquerdistas: você não se alimenta por causa de leis. O FDA 2 não o protege de alimentos perigosos. É apesar da regulamentação governamental que a riqueza é criada. Você se alimenta devido aos mecanismos internos do sistema de mercado: preços, lucros e prejuízos. Sem eles, você provavelmente morreria de fome, com ou sem leis – e a história do comunismo não deixa dúvidas sobre a veracidade de minha afirmação .

Sim, as “lúgubres” leis econômicas não têm o mesmo poder retórico. Soa tão bem dizer “todo mundo deveria ter ensino superior gratuito!” Mas esse não é um mundo onde a maioria das pessoas gostaria de viver – se entendessem, é claro, os trade-offs econômicos envolvidos.

Considere, por exemplo, minha recente visita ao hospital para um tratamento ambulatorial. Eu precisava de um lugar para estacionar, e tive que pagar um estacionamento privado. Dinheiro! Pagar pelo estacionamento para obter serviços essenciais de saúde. Que tipo de porco capitalista egoísta me forçaria a pagar o estacionamento em um hospital? O estacionamento do hospital deveria ser gratuito!

Estacionamento cheio

Graças a Deus que o meu desejo não se realizou. O que teria acontecido com a) estacionamento gratuito para todos e b) um número escasso de vagas de estacionamento? Eu nunca teria encontrado um lugar.

Todo mundo que desejasse estacionar naquela área – para ir a um restaurante, passear no parque ou, talvez, consertar o carro – teria logicamente escolhido tal estacionamento, enquanto eu (alguém que realmente necessitava de uma vaga) não teria encontrado uma única vaga disponível.

A solução: preços. Existe somente uma quantidade finita de vagas. Em vez de “estacionamento gratuito para todos”, nós precisamos de “estacionamento para quem realmente precisa” – isto é, para aqueles que estão dispostos a pagar pela preciosa vaga.

Não é uma solução perfeita, pois não existe uma solução perfeita. A escassez implica a insatisfação de alguns desejos. É simplesmente a melhor solução possível, dada às circunstâncias imperfeitas.

Demonstrar indignação moral contra o ato de pagar pelo estacionamento do hospital não seria somente ridículo e descabido – seria contraproducente. O mundo seria um lugar melhor sem esse tipo de protesto. Mas, infelizmente, esse tipo de disparate contraproducente é precisamente o modus operandi dos progressistas. Eles tomam posições morais que não são baseadas na realidade, e persuadem eleitores ao apelar para retórica emocional – em sua “ busca pela justiça cósmica “.

Fundamentalmente, afirmar que “todo mundo tem direito à moradia” não é diferente do que afirmar “todo mundo têm direito a um refrigerador, duas TVs, um carro, diversos pares de roupas, e acesso à internet!”. Para o progressista, qualquer preocupação com a produção desses bens ou com os efeitos concretos do microgerenciamento governamental é totalmente desnecessária, é claro…

Primeiramente, todas as teorias políticas e sociais devem ser arraigadas na realidade; segundo, elas têm que ser calcadas em princípios econômicos sólidos. Caso contrário, elas estão irremediavelmente condenadas a conclusões inadequadas e ilusórias.


Esse artigo foi originalmente publicado como Economic Reality Comes Before Social Justice no blog do próprio autor . Essa versão em português foi traduzida pelo Portal Libertarianismo .


Notas:

  1. Em inglês norte-americano, progressista refere-se a grupo político que defende reformas comumente associadas à esquerda. (N. do T.)
  2. Food and Drug Administration, órgão norte-americano que, entre outras coisas, regulamenta a produção e o comércio de alimentos. (N. do T.)

Sobre o Autor

Steve Patterson é produtor freelance de animações e escritor. Ele é criador da série de animações educativa The Truth About.... Você pode segui-lo em steve-patterson.com.

1 Comment

  1. Pedro Henrique Porto Antunes - Responder

    Otima argumentacao,explicou indagou muito bem os ideais progressistas e sua pobreza sistemica.

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