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Muita gente me pediu uma ponderação do recente ensaio de Noah Smith entitulado A maior parte do que você aprende em Econ 101 está errado1. De certo modo, eu já fiz isso em dois posts de algumas semanas atrás. Eles estão aqui e aqui.

Apesar de não terem sido escritos como resposta direta a Smith, esses meus dois posts do blog foram de fato escritos em resposta ao argumento que Smith usa, já que é um argumento frequentemente empregado por aqueles que resistem à recomendação de humildade que um bom curso de princípios microeconômicos oferece a seus alunos.

Não tenho mais nada de valor a acrescentar ao que escrevi algumas semanas atrás, exceto notar que nem todos os cursos de princípios de economia são bem ensinados. Muitos desses cursos são extensões e rasas discussões sobre como flexionar curvas e fazer contas que alega-se descrever relações econômicas. (E muitos desses cursos mal-orientados de princípios econômicos de fato ensinam muitas noções erradas, como que os mercados precisam de informação perfeita para funcionar bem, ou que “concorrência perfeita” seria a melhor forma de competição no mundo real se fosse possível.) Então, sim, a maior parte do que é ensinado nesse tipo de curso de introdução à “economia” é de fato “errado” — ou, pelo menos, irrelevante para a verdadeira compreensão de economia.

Mas um curso bem-ensinado de princípios — um curso ensinado, por exemplo, por pessoas como Deirdre McCloskey, por meu colega Walter Williams, por Dwight Lee, ou pelo finado Armen Alchian — é um que ensina, e ensina bem, pelo menos dez lições vitais e fundamentais:

(1) o mundo é repleto de consequências tanto desejáveis como indesejáveis2 — consequências que são em grande parte invisíveis, mas que até mesmo um curso “meramente” de princípios de economia nos dá grande visão e nos permite ver;

(2) intenções não são resultados;

(3) nosso mundo é inevitavelmente um de trade-offs, não de “soluções”;

(4) preços determinados pelo mercado:
— (4a) não são arbitrários;
— (4b) conectam milhões de estranhos uns aos outros de maneiras produtivas que quase nenhum desses estranhos desconfia;
— (4c) não podem, exceto nas mais raras das irrealistas das circunstâncias, ser controlados pelo Estado sem causar as consequências exatamente opostas daquelas que são ostensivamente perseguidas;

(5) ordem econômica complexa, produtiva e sustentável surge sem desenho3 ou intenção;

(6) indivíduos respondem a incentivos;

(7) indivíduos, e não grupos, escolhem e agem;

(8) a riqueza não tem uma quantidade fixa (e também não é dinheiro);

(9) agentes públicos não são mais inteligentes ou bem-motivados do que as pessoas operando no setor privado;

(10) e economia é inconcebivelmente mais complexa do que alguém com fraco conhecimento econômico percebe — tão complexa que promessas de engenheiros sociais revelam-se fantásticas desilusões.

Um bom curso de princípios de economia nos ensina a apreciar as maravilhas da ordem espontânea de mercado e, ao fazer isso, nos ensina humildade. Infelizmente, muitos dos cursos avançados de economia nos ensinam o contrário: por suas exposições de lousa de economias como máquinas produtoras de PIB, esses cursos “avançados” inculcam a noção equivocada de que a economia é muito mais simples do que ela é de verdade. Seria muito mais próximo da verdade dizer que a maior parte do que você aprende em Econ 800 está errado, porque em muitos casos ela dilui ou destrói as verdades que você aprendeu em um bom curso Econ 101.


1. Econ 101 é o código comumente usado para a disciplina introdutória de economia nas universidades americanas. Ela geralmente fala sobre os princípios de economia, particularmente de microeconomia. (N. do E.)

2. No original em inglês: desirable. Essa palavra é literalmente traduzida por desejável, como foi no texto. Mas ela carrega também sentidos de intenção e expectativa. Então o que o autor quis dizer é que há consequências desejadas, perseguidas e esperadas; e há consequências que não foram perseguidas, não eram desejadas e, para alguns, nem mesmo esperadas, mas que ocorrem mesmo assim. (N. do T.)

3. No original em inglês: design. Ou seja, essa ordem econômica surge mesmo que ninguém desenhe, planeje ela. (N. do T.)


Esse artigo foi originalmente publicado como Most of what you learn in Econ 101 is right para o Café Hayek.

Sobre o Autor

Donald Boudreaux é professor de economia na George Mason University, membro sênior do Fraser Institute e colaborador no blog Café Hayek.

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