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Já escrevi anteriormente que muitas nações europeias estão condenadas ao caos demográfico e ao caos fiscal , mas muita gente não se importa tanto com o futuro.

Bernie Sanders , por exemplo, olha para nações como Dinamarca e Suécia de hoje e diz que os Estados Unidos deveriam copiar seus caros Estados do bem-estar social .

Ele tem razão?

Bom, depende dos parâmetros. Se, por qualquer razão, alguém estivesse segurando uma arma contra minha cabeça e exigisse que copiássemos as políticas de alguma nação da União Europeia , os países nórdicos estariam entre minhas primeiras escolhas. Sim, seus Estados de bem-estar social são grandes demais, mas eles de alguma forma compensam esse erro ao terem políticas muito pró-livre-mercado em outras áreas.

Dito isso, a Irlanda e o Reino Unido são as nações mais livres economicamente dentre aquelas que estão na União Europeia , e a Suíça estaria no topo se essa escolha fosse ampliada para nações da Europa não pertencentes à UE.

Mas estou divagando. Vamos voltar a discutir se pessoas em lugares como a Dinamarca (ou outro lugar da Europa) gozam de mais prosperidade do que seus correspondentes americanos.

Mark Perry do American Enterprise Institute juntou alguns dados maçãs-com-maçãs que sugerem que a resposta seja “não”. Pelo menos se o objetivo for produção econômica e padrão de vida mais alto.

A maioria dos países europeus (incluindo Alemanha, Suécia, Dinamarca e Bélgica), se viessem fazer parte dos EUA, estariam no terço mais pobre de estados americanos com base no PIB per-capita. E o Reino Unido, a França, o Japão e a Nova Zelândia estariam todos entre os estados mais pobres, abaixo do 47º (Virgínia Ocidental) e não muito acima do 50º (Mississípi). Países como Itália, Coreia do Sul, Espanha, Portugal e Grécia, cada um deles estaria abaixo do Mississípi como estado mais pobre do país.

Aqui está a tabela que Mark preparou:

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Fonte: BEA, World Bank

Só um alerta, vale notar que não há uma relação um-para-um entre produto interno bruto e padrão de vida real. Parte da atividade econômica de estados ricos em energia como Dakota do Norte, por exemplo, se traduz em renda para acionistas vivendo em outros lugares do país.

Mas se você olhar a média americana (US$ 54.629), ela é obviamente maior do que o produto econômico das nações europeias. E se você prefere medidas diretas de padrão de vida, então os dados de consumo da OCDE também mostram que os EUA são consideravelmente mais prósperos.

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Nada disso sugere que políticas nos EUA sejam as ideais ( não são ) ou que as nações europeias sejam fracassos (elas ainda estão entre as mais ricas do planeta).

Estou simplesmente trazendo o modesto – mas importante – argumento de que europeus seriam mais prósperos se a carga tributária do Estado não fosse tão onerosa. E estou derrubando o argumento de que deveríamos copiar nações como a Dinamarca ao permitir um governo maior nos Estados Unidos (apesar de que quero, sim, copiar a Dinamarca em outras áreas, em que são geralmente mais pró-liberdade econômica do que temos nos EUA).

Mudando de assunto, Mark Perry também dá um tiro em Donald Trump , que parece pensar que outras nações estão “ ganhando ” dos EUA por causa do comércio.

Talvez devêssemos lembrá-lo que o México e a China, como estados americanos, estariam muito abaixo do nosso estado mais pobre – Mississípi – por 51% e 62% respectivamente em PIB per capita; e o Japão estaria muito pouco acima de nosso estado mais pobre – Mississípi. Usando o PIB per capita como medida tanto da produção econômica por pessoa como do padrão de vida do país, os EUA estão ganhando muito bem.

Excelente ponto. É um sinal de prosperidade americana que podemos comprar mais de outras nações do que eles podem comprar de nós.

Também é sinal de prosperidade que, quando eles recebem dólares americanos, estrangeiros frequentemente escolham investir esses fundos na economia americana (lembre-se, o outro lado de um déficit comercial é um superávit de capital).

Por falar em prosperidade europeia, aqui está um fascinante mapa que vi no Twitter. O jornalista do The Wall Street Journal que o compartilhou notou que “as áreas roxas são tão ricas quanto os estados americanos, e as áreas amarelas são mais pobres do que o México”. Em outras palavras, as poucas áreas escuras (uma porção na Alemanha, e outras em algumas poucas nações) são as únicas partes da Europa que são economicamente iguais ou melhor do que os Estados Unidos.

map1

Aqui está outro mapa, concentrando no norte da Europa. Não tenho uma lição de política aqui, só uma observação de que o Reino Unido tem uma única região muito rica (Grande Londres) e diversas regiões relativamente pobres.

map2

Último comentário: crescimento de longo prazo importa. Hong Kong e Cingapura , por exemplo, eram jurisdições pobres. Mas o livre-mercado e Estados pequenos produziram décadas de forte crescimento, e agora esses lugares estão entre os mais ricos do planeta. Mais ricos não apenas do que a Europa, mas mais prósperos até do que os Estados Unidos.


Esse artigo foi originalmente publicado como Unless the Goal Is Lower Living Standards, Bernie Sanders Has Learned the Wrong Lesson from Europe para o International Liberty .

Sobre o Autor

É colaborador sênior do Cato Institute. É presidente do Center for Freedom and Prosperity, uma organização criada para defender e promover impostos competitivos. Previamente, Dan serviu como colaborador sênior no The Heritage Foundation e foi economista do senador Bob Packwood e do comitê de finanças do Senado. Recebeu seu Ph.D em economia da George Mason University e graduação e mestrado em economia da University of Georgia.

6 Comments

  1. Sim, mas e a concentração de renda, como fica? É aí que está a questão. Talvez seja melhor viver na Dinamarca do que em North Dakota. Ou alguém tem alguma dúvida que é mais fácil ser pobre e desprovido na “rica” Dakota do Norte do que na não-tão-rica-assim Dinamarca? O próprio Brasil tem cidades com PIBs per capita comparáveis a países do Primeiro Mundo, mas com bolsões de pobreza de dar dó em qualquer um. O artigo acima foi, de certa forma, tendencioso.

    • Luiz Gilberto Oliveira Messias - Responder

      Não diria tendencioso, mas ele confunde prosperidade de uma nação, com bem estar da maioria das pessoas desta nação. Não é difícil, isto ocorre no Brasil mesmo, acontecer um estado rico, mas com uma brutal desigualdade. Portanto, para aqueles que vivem na penúria, de que adianta o estado mais rico? Eu responde! NADA!

    • Quem tem a desigualdade?

  2. O texto tem como objetivo mostrar a superioridade da qualidade de vida dos Estados Unidos com relação aos países europeus por meio da avaliação da renda per-capita, porém, não vejo uma consideração com relação a concentração de renda muito superior dos EUAs se comparado aos principais países Europeus. Não há, nesse caso, uma avaliação do gini. Ainda deve ser considerado que qualidade de vida deve ser avaliada também por outros parâmetros, como acesso a saúde, educação e segurança. Hoje, um estudante americano, termina sua graduação devendo em torno de 100 a 200 mil dólares, por meio do financiamento do governo, enquanto que na Alemanha os estudantes também tem acesso a universidades de altíssima qualidade, mas não terminam endividados devido ao sistema público de ensino. Venho me interessando pelo conhecimento do liberalismo econômico e suas vantagens para melhorar a qualidade de vida de todos, mas esse texto apresenta uma avaliação muito limitada, podendo ser considerado tendencioso. Seria interessante uma avaliação mais detalhada desse tema.

  3. Algumas pessoas aqui nos comentários falam da desigualdade de renda nos EUA ser maior que na Europa, e que isso seria ruim, mas não pararam pra pensar que mesmo a região da antiga Alemanha Oriental tendo desigualdade menor as pessoas de renda mais alta de lá podem ter renda até mesmo menor que os de mais baixa renda de um estado rico e desigual dos EUA, sendo assim ainda é melhor ser um pobre na Nova Inglaterra que uma pessoa de classe média-alta do leste alemão. Engraçado como a área que corresponde à antiga Alemanha Ocidental tem padrão americano de vida enquanto a correspondente à antiga Alemanha Oriental tem renda per capita quase tão baixa quanto a Europa Mediterrânea, o comunismo até hoje tem efeitos colaterais nessa porção do continente…

  4. PERDÃO MAS O ‘DEUS’ LIVRE-MERCADO NÃO RESOLVE TUDO .
    HA QUESTOES DE AMBITO CULTURAL INTRINSECAS A UM POVO QUE NAO DEVEM SER ESQUECIDAS …
    SOU TBM EUROPEU (ITALIANO) E UM FORTE CRITICO DOS GOVERNOS DE ESQUERDA QUE DESTRUIRAM A ITALIA INCLUSIVE ATRAVES DA UE, SEJA ECONOMICAMENTE OU CULTURALMENTE COM SUAS POLITICAS DESASTROSAS !
    O NORTE , RICO , UM DIA JA FOI HIPER INDUSTRIALIZADO COM PEQUENAS, MEDIAS E GRANDES EMPRESAS COMPETITIVAS QUE APOS A QUEDA DO MURO DE BERLIM SE BANDEARAM PARA O LESTE PARA FUGIR DOS SINDICATOS RAIVOSOS…EIS AÍ O PRIMEIRO PASSO DA ROVINA ECONOMICA ATUAL DA ITALIA .O RESTO FIZERAM OS VARIOS GOVERNOS DE ESQUERDA QUE VIERAM POS-BERLUSCONI DEMONIZADO AQUI E LÁ POR UMA IMPRENSA ABSOLUTAMENTE INCONFIAVEL…O SUL DO PÁIS, POBRE E EM ETERNO RETARDO CULTURAL É UM GROTAO DOS POLITICOS POPULISTAS E DA MÁFIA .
    SE LÁ, UM DIA NO PASSADO FOI NESCESSARIA A INTERVENÇÃO DO ESTADO PARA SE RETIRAR NO INICIO DO SECULO 20 A NAÇÃO DE UMA SITUAÇÃO QUE BEIRAVA AINDA AO MEDIEVALISMO , PARA NÓS OK…POR OBVIO QUE HOJE O ESTALISMO MUSSOLIANO NAO TEM MAIS RAZAO DE SER POREM, HOJE, MESMO AGORA, PARA A REALIDADE CULTURAL DAQUELE POVO (UMA NAÇÃO E SEUS COSTUMES NAO POSSUEM FIGURINHA NA TABELA DO EXCELL) ABRIR MAO DO ESTADO SOCIAL E A ELES LHES IMPOR UM MODELO POR EXEMPLO NORTE-AMERICANO BASEADO APENAS NO LIVRE MERCADO, JAMAIS PODERA HAVER A MAIS MINIMA CHANCE DE SUCESSO . UM ITALIANO JAMAIS ACEITARIA PAGAR POR EXEMPLO UM PLANO DE SAUDE ! MAS APOSENTADORIA PRIVADA , NOVAMENTE POR EX., SIM !!
    EU SOU PELO LIVRE-MERCADO MAS NAO ABRO DO PAPEL DO ESTADO (MINIMO) EM SAÚDE E EDUCAÇÃO BASICAS .GRATO .

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