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A África Subsaariana consiste de 46 países e cobre uma área de 24 km2 milhões. Uma em cada sete pessoas da Terra vive na África, e a proporção que o continente tem da população mundial só tem como crescer porque a taxa de fertilidade na África permanece mais alta do que em outros lugares.

Se a tendência atual continuar, haverá mais pessoas na Nigéria do que nos Estados Unidos em 2050. O que acontece na África, portanto, é importante não somente para as pessoas que vivem no continente, mas também para o resto de nós.

O continente da esperança

A África pode ser o continente mais pobre do mundo, mas não é mais um “continente sem esperança” como foi descrito pela revista The Economist em 2000. Desde o início do novo milênio, a renda média per capita africana, ajustada pela inflação e pela paridade de poder de compra, subiu mais de 50%, e a taxa média de crescimento na África foi de quase 5% ao ano.

Nairobi, capital do Quênia.

Aumentos na riqueza levaram a melhoras em importantes indicadores de bem-estar humano. Em 1999, 58% dos africanos viviam com menos de US$ 1,90 por dia. Em 2011, 44% dos africanos vivem com essa renda – tudo enquanto a população africana cresceu de 650 milhões para 1 bilhão. Se a tendência atual continuar, a taxa de pobreza absoluta africana vai cair para 24% em 2030.

A expectativa de vida subiu de 54 anos em 2000 para 62 anos em 2015. A mortalidade infantil caiu de 80 mortes por mil nascimentos vivos para 49 mortes no mesmo período de tempo. Quanto a HIV/AIDS, malária e tuberculose, suas taxas de ocorrências, detecção, tratamento e sobrevivência melhoraram todas. A oferta de alimento excede 2.500 calorias por pessoa por dia (o Departamento de Agricultura norte-americano recomenda 2.000 calorias), e fomes generalizadas desapareceram fora de zonas de guerra. Alistamento escolar no primeiro, no segundo e no terceiro graus nunca foram tão altos.

A riqueza das nações africanas 1

Parte do crescimento africano foi impulsionado pelo alto preço das commodities, mas muito dele, como descoberto por um estudo de 2010 da McKinsey , foi impulsionado por reformas econômicas. Para entender como elas foram significativas, é importante relembrar que, por muito de seu período pós-colonial, governos africanos impuseram controle centralizado em suas economias. Políticas comuns incluíram políticas monetárias inflacionistas; controles de preços , salários e taxas de câmbio; comissões de mercado que mantinham os preços de produtos agrícolas artificialmente baixos e empobreciam fazendeiros africanos; e empresas e monopólios estatais.

Isso começou a mudar depois da queda do muro de Berlim. O socialismo perdeu muito de seu encanto, e a União Soviética, que bancou e protegeu muitas ditaduras na África, desmoronou. Entre 1990 e 2013, a liberdade econômica, como medida pelo Fraser Institute no Canadá, subiu de 4,75 (de 10) para 6,23. Liberdade para o comércio internacional subiu ainda mais, de 4,03 para 6,39. O que é ainda mais impressionante, a África progrediu muito em políticas monetárias, ou acesso a moeda forte, que subiu de 4,90 em 1995 (seu nível mais baixo) para um notável 7,27 em 2013.

A África fez incursões semelhantes em termos de políticas microeconômicas. Como indica o relatório Doing Business do Banco Mundial , o ambiente regulatório africano melhorou muito. Iniciar um negócio, por exemplo, tornou-se mais fácil, com a pontuação africana subindo de 45 (de 100) em 2004 para 72 em 2015. Lidando com licenças de construção, resolvendo insolvências, cumprimento de contratos, registrando propriedade, obtendo crédito, acesso a eletricidade, e facilidade para pagar impostos, todos eles melhoraram muito.

Os governos ainda são corruptos, ditatoriais e arbitrários

Robert Mugabe , presidente do Zimbabwe desde 1987, primeiro-ministro entre 1980 e 1987.

Infelizmente, não houve qualquer melhora significativa nas instituições africanas. De acordo com o relatório Liberdade no Mundo 2016 da Freedom House , só havia seis países livres na África Subsaariana: Benin, Botswana, Gana, Namíbia, Senegal e África do Sul. Enquanto muitos países adotaram constituições mais “democráticas” que incluem limites de mandato e outros controles legislativos e institucionais no poder executivo, governantes africanos encontraram maneiras de contornar essas precauções para manter e abusar do poder.

De acordo com o Banco Mundial, a corrupção continua prosperando entre agentes governamentais e, importante, entre membros do judiciário. Como consequência, indicadores quanto ao império da lei nos países africanos se mantiveram, em geral, inalterados. Assim, sem tribunais eficientes e imparciais, o potencial econômico africano continuará sempre não realizado.

O desafio e a oportunidade

Dito isso, como mostra a experiência em outras regiões, o desenvolvimento institucional tende a seguir reformas econômicas. Do médio para o longo prazo, o crescimento da classe média africana poderia ainda resultar num despertar político e maior assertividade do povo africano – e, finalmente, na democratização do continente.

O novo milênio tem sido bom para a África, mas o continente continua longe de ser próspero – muito menos democrático. Para que a economia africana continue se expandindo, os africanos precisarão continuar suas reformas – sem nunca esquecer que a economia mundial continua se transformando e a competição global continua aumentando. Esse é o desafio da África, e também sua oportunidade.


Esse artigo foi originalmente publicado como Africa is growing thanks to capitalism para o CapX e para o HumanProgress.org .


Notas:

  1. O autor faz alusão ao livro “A riqueza das nações” , de Adam Smith , que muitos consideram ter iniciado o estudo da economia como ciência. (N. do E.)

Sobre o Autor

Marian L. Tupy é o editor do HumanProgress.org e um analista sênior de politicas no Center for Global Liberty and Prosperity.

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